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navegavam em navios europeus. Grandes
veleiros de comércio, possantes navios de guerra, rápidas embarcações de
piratas e corsários. Alguns destes bichons ficavam nas cabines das belas da
época, no seu papel de pequeno companheiro de luxo. outros pequenos cães,
menos sortudos, ficavam no porão do navio encarregados de caçar ratos. No
largo de Madagascar os piratas atacaram um navio de comércio onde estava uma
dama de grande beleza, acompanhada de suas pequenas queridas bichons "Belle",
"Bijou" e "Trésor". Seguido a batalha e a uma tempestade os dois barcos
naufragaram e não restou nenhum sobrevivente, a não ser as cachorrinhas da
Dama e, do navio pirata, um pequeno vagabundo, "Brigand", caçador de
ratos. Todos eles chegaram na ilha e, a natureza fazendo sua parte, tiveram
lindo filhotes... cotons. Eles herdaram a vivacidade de seu pai e a
delicadeza de suas mães".
Mas a versão mais aceita de sua origem é, segundo M. Petit, Presidente da
sociedade canina de Madagascar, que os europeus que colonizaram a ilha
levaram junto seus pequenos animais de
companhia, Dentre os quais o bichon, o bedlington e o espanhol anão continental.
Estes acabaram por se misturar com os cães locais, os quais o geógrafo e
governador Etienne de Flacourt descreveu em 1653 como "pequenos cães de focinho
longo e pernas curtas como raposas. Alguns são brancos e têm orelhas curtas".
Enfim, a única certeza é que a raça apareceu
em Madagascar. Provavelmente descende de bichons trazidos da Europa e de cães
locais. Após esta mistura a raça teve que enfrentar quatro séculos (de 300 a 400
gerações) de seleção natural e se adaptar a rudes condições de vida.
Sobreviveram os cães mais adaptados, de pelo branco e de textura de algodão
para garantir uma isolação térmica indispensável àquele clima.
Um fato bastante comentado sobre o coton
de Tulear é como ele escapava dos crocodilos em sua terra natal, Madagascar.
Segundo a lenda para cruzar um rio ele tinha que enganar os crocodilos. Primeiro
eles achavam o local ideal para atravessar, em seguida o chefe da matilha ia até
um local onde o rio fosse mais largo e atirava a atenção dos crocodilos. Em
seguida ele volta ao grupo e todos atravessam o rio em segurança. Segundo o Sr. Petit, ainda hoje, "cotons" meio selvagens utilizam esta artimanha na ilha
de Madagascar.
O Coton foi primeiro descoberto pela
França, país onde até hoje, ele é mais difundido e reconhecido nas ruas.
Seu padrão inclusive situa o início
da raça com sua chegada em solo
francês em 1977.
No início de sua criação selecionada a raça sofreu um grande
dano quando especuladores traziam qualquer cão da Ilha de Madagascar dizendo que
seriam verdadeiros Cotons. Estes cães muitas vezes não estavam dentro do padrão
e eram trazidos em péssimas condições para o cão. Outro grande dano a raça foi
quando alguns "criadores" vendiam malteses ou bichons com defeitos como sendo
cotons de Tulear. Este último dano foi mais grave, pois os falsos "cotons" vindos
de Madagascar tinham pelo menos sofrido uma severa seleção natural, e eram cães
fortes, sem problemas de saúde, assim como os verdadeiros Cotons. Já os maus
exemplares de maltês ou bichon traziam uma carga genética contendo cruzamentos
não selecionados. Felizmente a raça superou tudo isso.
Características
O Coton é um cão de pequeno porte, de
3,5 a 6 kg e medindo entre 25 e 28 cm, de acordo com o sexo. Sua pelagem é
espessa e branca, podendo ter pequenas sombras cinzas ou amarelas,
principalmente nas orelhas. Seu longo pêlo (devendo ter 8cm de acordo com o
padrão) tem a textura do algodão (de onde vem seu nome, pois coton é algodão
em francês) e o protege do calor e do frio. O Coton de Tulear é um cão de
boa saúde devido a rigorosa seleção natural sofrida em Madagascar e tem
expectativa de vida em torno de 15 anos.
O pêlo do Coton de Tulear deve, de
acordo com o padrão, ter no minino 8 cm, mas o que se vê nas exposições são
pelos muito maiores. Esta bela pelagem exige certos cuidados sem os quais os cotons se tornariam pequenas bolas de nós.
Nos filhotes os cuidados
não são muitos, mas devem ser feitos de maneira religiosa para
que ele se acostume desde cedo a ser manipulado e embelezado. A escovação
deve ser feita de maneira correta porque os menos experientes podem pensar o
pêlo foi desembaraçado quando ainda restarão nós perto da pele. Uma vez os
nós aparecidos podem chegar ao ponto de ser necessário tosa-los a máquina o
que arruinaria o pêlo e sua textura de algodão. Os cuidados cotidianos (que duram
cerca de 15 minutos) consistem em uma escovação, em seguida
passar um pente de dentes largos, e um pente de dentes médios, fazendo o
possível para não arrancar muitos pêlos. Para
finalizar passe um pente fino, chamado de pente de
pulgas (para retirar as pulgas). Pronto, seu coton já estará completamente
livre de possíveis nós. Nunca deixe de penteá-lo por um longo espaço de
tempo, mesmo que você nunca tenha encontrado um nó em seu coton. Poucos dias
sem os cuidados necessários podem provocar danos irreparáveis a sua linda
pelagem, sendo a tosa a última opção possível.
Outro ponto importante é de NUNCA dar
banho sem antes escová-lo. O banho pode ser muito freqüente (uma vez por
semana) como nos cães de exposição ou bastante mais espaçados, ou seja, mensalmente.
Lembramos, ainda, que se o cão é
penteado frequentemente demorará mais para parecer sujo e precisar de um
banho. A utilização de um secador é recomendada, mas nunca em temperaturas
muito elevadas ou muito perto do pêlo.
Comportamento
O coton de tulear é o típico cão de
companhia: alegre, esportivo, vivo e brincalhão. O coton não é uma das raças
mais fáceis de se educar. Ele necessita de um dono de pulso firme, que saiba
se fazer respeitar.
Por outro lado é um cão que adora ser
acariciado e tem grande amor pelo seu dono. Não é um cão que se adapte
facilmente à solidão.
Apesar de seu pequeno tamanho precisa de exercício. Ele pode com certeza se
acostumar a vida em apartamento contanto que o seu dono o exercite para que
ele queime toda sua energia.
Ele é também um ótimo cão de alerta
e, porque não, de guarda. Este pequeno cão pode defender muito bem seu
território frente a estranhos. Até seu dono sinalizar que o estranho é um
amigo ele não parará de latir e de ficar entre o estranho e seu dono.
É também um ótimo cão com crianças,
brincando com elas e sendo de extremamente paciente. Com outros cães ele se
porta como líder, por isso é aconselhável ficar sempre de olho. Se o outro
cão o aceitar como chefe, não terá problema algum. Ele
também é muito amigável com outros animais, com a exceção de patos, galinhas e pássaros.
Mas será muito feliz ao lado de um gato ou um coelho.
Entretanto, recentemente foram notados desvios de comportamento, com cães
agressivos com os donos. A maioria dos cães apresentando estes desvios
tinham donos que não deram a educação adequada, ou seja, não foram firmes o
bastante. |