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O terreno era acidentado demais para usar cavalos para
encurralar as raposas e o terrier, embora fosse pequeno o bastante para se
introduzir entre as sinuosidades dos penhascos mais estreitos e no fundo das
tocas, se via obrigado a seguir o ritmo dos hounds e a subir com agilidade e
saltar de rocha em rocha. Por isso tinha que ser pequeno e forte. Era muito
freqüente um cão perder-se e sua forte constituição permitia-lhe sobreviver
até ser encontrado.
Exigia-se do terrier muita coragem. Enquanto no sul da
Inglaterra os caçadores não matavam a raposa, pois estava escassa, assim
poderiam persegui-la novamente, no norte o objetivo consistia simplesmente
em destruí-la. O Lakeland Terrier surge dessas rigorosas condições.
Apresenta-se como um descendente do Antigo Terrier Inglês
preto e canela (Old English Black and Tan Terrier).
Até o início do século XIX os
britânicos só distinguiam dois grandes tipos de terriers locais: os terrier
escoceses, cães de patas curtas de pelo hirsuto e cores muito variadas, e os
terriers ingleses, de estrutura quadrada, patas mais longas e pretos e
canela, que podiam ter tanto o pelo duro como liso.
Depois, apareceu a preocupação com uma seleção mais
cuidadosa desses cães, de acordo com o seu uso e morfologia. Com o
aparecimento de cinologia, os dois tipos básicos evoluíram para a formação
de raças cada vez mais distintas.
Das variedades do norte da Inglaterra, algumas apresentavam
um aspecto muito semelhante. Todos esses cães, o Terrier de Westmoreland,
Terrier de Cumberland, Patterdale Terrier e Fell Terrier poderiam ser
chamados de "peel’s terriers", dada a sua semelhança com os cães favoritos
de um famoso caçador das fells (nome local da colina): John Peel.
Houveram alguns cruzamentos entre os antepassados do Lakeland,
do Border e do Bedlington Terrier.É provável que tenha havido a contribuição do Fox Terrier de
Pêlo Duro, raça constituída algumas décadas antes dos Terriers do Norte da
Inglaterra, que daria mais homogeneidade ao Lakeland Terrier.
No início do século XX, os cães que iriam transformar-se no Lakeland Terrier eram apresentados nos comitês locais ao mesmo tempo que os
animais que cuidavam das fazendas e das granjas, enquanto ocorriam os
concursos de cães pastores. Em 1912, um grupo de amadores reuniu-se para
formar um clube da raça. Infelizmente a Primeira Guerra Mundial adiou os
seus projetos.
Em 1921 foi
possível constituir-se uma associação duradoura, a Lakeland Terrier
Association. Um dos seus primeiros objetivos foi atribuir um nome único à
uma raça dotada de
designações diversas. Acabou sendo adotado Lakeland Terrier, porque tinha a
vantagem de ser preciso o bastante para não incomodar nenhum partidário de
outra designação mais localizada.
Só nos anos de 1928 – 1930 é que o Lakeland começou a
expandir-se pelo sul da Inglaterra e a participar de exposições. Em 1931 o The Kennel Club conferiu à raça a possibilidade de
se habilitar aos certificados de aptidão obrigatórios para a concessão do
título de campeão. Dois exemplares o conseguiram.
O período entre as duas guerras foi muito positivo para
todos os terriers na Grã-Bretanha. Nessa época a arte do corte de pêlo
tinha chegado a um alto grau de perfeição e os britânicos gostavam muito dos
cães que pareciam esculpidos.
Em fevereiro de 1967, numa Segunda feira, apareceu em todos
os jornais a foto de um representante raça; a televisão mostrou para milhões
de telespectadores uma cerimônia em que se via um pequeno terrier, uma
espécie de miniatura de Airedale, ou um tipo de Fox um pouco menor e com uma
cor tão pouco habitual como repousante: um Lakeland tinha ganho um "Best in
Show" (Melhor da Exposição) na Crufts. Era Stingray of Derryabah, que já
havia ganho o título de campeão três anos antes.
No ano seguinte, esse mesmo cão ganhou o "Best in Show" da
mais prestigiosa exposição Norte americana, a de Westminster (New York). Foi
um duplo feito histórico: nenhum outro cão tinha conseguido ganhar nas duas
exposições mais importantes do mundo.
Características
Grupo:
Terceiro
Altura na cernelha:
37cm, no máximo.
Peso: Uma média de 6,8kg
nas fêmeas e de 7,7kg nos machos.
Pelagem: Preto e canela,
azul e canela, dourado, trigo, canela-acinzentado, castanho, azul ou
negro.
Expectativa de vida: De
12 a 14 anos.
Caráter: Vivo, alegre,
amistoso.
Relação com as crianças:
Muito boa.
Relação com outros cães:
Geralmente pacífica.
Aptidões: Cão de
companhia e exposição; caça animais de toca.
Necessidade de espaço:
Pode viver na cidade.
Alimentação: Cerca de
100g diários de alimento completo seco.
Cuidados: Normais
(pentear).
Custo de manutenção: Médio.
Comportamento
O Lakeland sente-se naturalmente bem em qualquer lugar e não
se deixa impressionar por nada nem ninguém. Este terrier tão cheio de
vitalidade fica tão à vontade na cidade como no campo.
Tem muita presença, mas nunca se torna um embaraço com os
seus 37 cm e seus 7 kg. Não se deve julgá-lo um hipernervoso, um fanfarrão
que julga que a Terra está povoada por
concorrentes potenciais, por inimigos de todos os tamanhos e condições, ou por presas que deve perseguir, sem que
haja nenhuma outra atividade que valha a pena. A assiduidade nas exposições
o tornou conciliador. Converteu-se num terrier comedido. Se o dono for capaz
de um mínimo de firmeza, ele se mostrará um excelente cão de família, de
caráter equilibrado, que nunca causará problemas. Sabe instintivamente como
proteger sua propriedade; nada escapa à sua vigilância.
É o acompanhante ideal de quem puder
associá-lo à sua vida, tanto podendo ser conservado em casa como levado a
qualquer lado. É também um bom companheiro para aqueles que gostam da
natureza, pois agüenta
prolongados passeios pelo campo.
Hoje são pouco utilizadas a sua capacidade de trabalho. Mas
poderia perfeitamente se desenvolver nas suas tarefas originais, nas quais
poria à prova sua robusta constituição, além disso às vezes é usado na caça
às lontras e é muito apreciado como caçador de coelhos.
A sua tosa deve ser confiada à um
especialista que saiba conservar o aspecto compacto do cão. O Lakeland
corresponde por inteiro à nossa atual maneira de viver. |