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Os cometas
Quando os homens morrem , se são
bons, vão para o paraíso. Não se sabe muito bem como e feito o paraíso, pois
geralmente quem foi para lá não voltou para contar como é . Mas o certo é
que se acha lá em cima, no céu, onde de noite brilham tantas estrelinhas. E
cada estrelinha parece ser o apartamento de um bem-aventurado.
O paraíso, como se sabe, é reservado
só as criaturas humanas. Os animais, ao contrário, quando morrem. vão
repousar debaixo da terra. Mas uma Vez aconteceu um caso estranho. em que um
cão nada menos que um cão! teve que ser admitido ao céu.
Os amiguinhos e amiguinhas sabem que
Nosso Senhor Jesus Cristo, no dia da sua Paixão e Morte, foi flagelado
na corte de Pôncio Pilatos e perdeu muito sangue. Passava um cão, um
cãozinho vagabundo, sem patrão, e que parou a olhar a trágica cena. Sentiu,
talvez, piedade pois os cães são muito compassivos ao ver aquelas chagas
sangrentas. Ou foi apenas a curiosidade? Não poderemos dizer os
motivos que levaram o cão a avançar e lamber o sangue que escorria daquelas
chagas.
Quando
mais tarde o cão morreu, os anjos disseram:
- Senhor a alma deste cão não pode ir
terminar debaixo da terra, pois ele bebeu o Sangue Divino.
Justo, muito justo. E foi assim que
um anjo foi designado para ir buscar o cãozinho e levá-lo para a morada
celeste. Mas acontece que não havia no céu nenhuma casa adaptada ao novo
morador. Então, para fazer reconhecer a estrela do cão das demais estrelas,
Deus lhe adaptou uma cauda – exatamente como as que tem os cães. Quando o
cãozinho vagabundo chegou ao céu e viu a sua estrelinha, o Consolo
dele foi tal que não podia ficar quieto. Pôs-se a correr de um lado para
outro, tanto que a própria estrela se deslocou e saiu em disparada pelo
espaço infinito.
E aí esta porque existem os cometas,
essas estrelas com cauda, que correm pelo céu, sem uma órbita precisa e
regular, e, correndo, Sacodem a cauda como os cães em momentos de alegria. |
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O
leão e o rato
Uma vez, quando o leão estava
dormindo, um ratinho pôs-se a passear em suas costas. Isso logo
acordou o leão, que segurou o bichinho com sua enorme pata e abriu a
boca enorme para engoli-lo.
-Perdão, rei dos animais -
gritou o ratinho - Deixe-me ir, não o importunarei mais. Quem sabe
um dia não conseguirei pagar-lhe este favor?
O leão riu-se muito ao pensar
na possibilidade de o ratinho ajudá-lo em alguma coisa. Afinal
soltou-o. |

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Algum tempo depois, o leão caiu numa
armadilha. Os caçadores, que desejavam levá-lo vivo ao rei, amarraram-no
numa árvore, enquanto iam providenciar uma carroça para transportá-lo. Nesse
momento, apareceu o ratinho. Vendo o apuro em que se encontrava o leão, num
instante roeu as cordas que o prendiam à árvore.
- Eu não disse que talvez um dia
pudesse ajudá-lo? - lembrou o rato.
Os amigos provam-se nas horas
difíceis.
Fábula
dos porcos espinhos
Durante a era
glacial, muito remota, quanto parte do globo terrestre esteve coberto por
densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e
morreram indefesos, por não se adaptarem as condições do clima hostil. Foi
então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se
proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim,
cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos,
agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele
inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os
espinhos de cada um começaram a ferir os
companheiros
mais próximos, justamente àqueles que lhes forneciam mais calor vital,
questão de vida ou morte. E afastaram-se feridos, magoados,
sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais
tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...
Mas esta não foi a melhor solução: afastados
separados, logo começaram a morrer congelados.
Os que não morreram,
voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito,
com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual
conservava uma certa distância
do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir,
para sobreviver sem magoar, sem causar danos
recíprocos.
Assim aprenderam a conviver
nos momentos difíceis, a estarem juntos,
uns respeitando os espinhos dos outros, a darem calor e
amizade sem se doerem, a
sobreviverem feliz
Fábula
japonesa
Uma fábula
japonesa conta que um gato matou a "favorita" do príncipe de Hizen, tomou
sua forma e, enquanto ele dormia, sugou-lhe o sangue. No folclore japonês,
todos os gatos são inteligentes, mas os maus são facilmente identificados
por suas caudas duplas.
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